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| Imagem Ilustrativa |
Às vezes se faz necessário ficar sozinho em alto mar, se faz necessário perder o manejo da embarcação por questões técnicas.
É necessário o retorno pela busca em aprender a se manter vivo com poucos recursos, perceber a ausência de necessidades básicas depois de muito tempo dentro de uma embarcação repleta de completudes.
Às vezes se faz necessário encalhar, desacordado, sem saber se será ajudado ou não. É que nesse Oceano, é necessário lidar com tempestades que podem ser superiores a embarcações construídas para isso, para não serem destruídas. Um homem por inteiro foi feito para se reconstruir de tempos em tempos, isso quer dizer que de tempos em tempos é necessário colocar o lixo para fora, analisar móveis antigos, objetos descartáveis e utensílios não mais utilizados. Às vezes, ao entrar no barco, mesmo com todos os materiais para prevenir fissuras, as águas do Oceano são mais fortes que qualquer ferramenta humana. A vida não está sob o nosso controle, seja organizando-a numa agenda ou improvisando. Metaforicamente aprendemos que somos o dono do barco e, em hipótese alguma, abandonar a embarcação e todos os que estão nela é plausível. Digo que se faz necessário recuar quando não há mais o que fazer. É um ato de coragem olhar para si e saber que desistir é a solução. É um ato de coragem, avisar as pessoas que o mais correto é naufragar no Oceano e esperar ajuda, do que padecer dentro de uma embarcação que destruirá todos que estão nela.
