terça-feira, 9 de junho de 2026

SENHOR PAULO CORDEIRO

O que sobrara dos anos sessenta ou até mesmo anteriormente a isto? Me refiro a existência de linhagens familiares no interior do sertão nordestino. Adianto que sobrou a vergonha. São restos de plantas secas caídas das árvores genealógicas de um sobrenome qualquer. Digamos que sejam eles, os Cordeiros. Dessa família restaram terras, algumas casas e uma, somente uma que é abonada de poder histórico e cultural da pequena cidade do interior.

O Senhor Paulo Cordeiro, é o último da linhagem, cuja o nome ainda tem direito. Cordeiro anda com uma bermuda de sarja, assiste jogos aos domingos, põe a cadeira de balanço na calçada, esperando o vento do início da noite chegar, e mexe no telefone.

Restou isso.

Um mendigo com sobrenome e status de outras pessoas que construíram alguma coisa, de resto é um homem soberbo, mesquinho, e um des-apreciador de sua companheira.  Tornou-se tão amarga por não ser amada e bem cuidada que é vista somente pelas frestas das paredes. Reclama pouco, fala o suficiente para não incomodar, e nem ser incomodada, muito menos judiada.

Já Paulo Cordeiro, é um bom homem. É respeitado na cidade. Dentro de casa, é um fracassado, um inútil, disse a Senhora viúva, Bruna Cordeiro.

- Quero de volta o sobrenome de meu pai. Tem mais honra que o sobrenome dessa peste.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

DESCONFIE DE QUEM NÃO TEM AMIGOS

Imagem Ilustrativa 

Não desconfie de pessoas que não tem amigos, afinal, você nem ao menos passou pela vida dela, vistes somente a coxia do palco, no fechar do pano de boca.

Para Nietzsche, a amizade deve estimular a transformação individual, "no amigo deve-se ter o melhor inimigo.” 

Parece assustador, mas ele quis dizer que um amigo de verdade confronta, aconselha e diz o que está errado.

Para Platão, a amizade é um vínculo que faz bem;

Para Sócrates, a amizade vai além do vínculo, é preciso ter um desejo de felicidade genuíno pelo outro;

Para Aristóteles, a amizade é uma consequência da felicidade humana, de se estar vivendo, e essa vivência torna-se plena, madura e efetiva, ao transformar-se em virtude.

Virtudes.

Tu achas que tem alguma que possa cultivar uma amizade a nível de estar em frangalhos, e mesmo assim, ser bem aceito e recebido? Cultivar uma amizade verdadeira é mais difícil do que imagina. Uma bolsa, dinheiro, status... todo o superficial pode comprar uma amizade, e digo diante mão que, nunca estaremos 100% felizes.

Sei que vai encontrar um milhão de argumentos que quebrem a lógica;

Dos mesmos criadores, “Prefiro ser triste chorando em Paris”, vem aí, “Meus seguidores, meu dinheiro, minha atmosfera social...”

Ok, tudo bem, mas entenda, isso não será para sempre, pois nada é. Até lá, já estará cansado da farsa, querendo descobrir, viver e conhecer coisas e pessoas novas.

Me veio a cabeça digitar esse texto, pois muito me pega a seguinte frase, “desconfie de quem não tem amigos”, como se a coleção de amizades, te ausentasse de ser insuportável. Ai que está o ponto, o dinheiro além de comprar amizades, silencia o que poderia estar sendo aperfeiçoado. Te aperfeiçoando. Relações são feitas para isso, e é assim que o ser humano evolui, não somente sendo sincero, mas percebendo falhas e pontos de melhoria em si mesmo. Ao se chegar na velhice queremos cultivar o quê? Folhas secas ou frutas doces?

Julgue-me!

Prefiro a solidão, que sofrer por alguém que nada sente por mim; nem afeto, nem empatia, nem consideração. Não aconselho a troca de amizades, mas sim a refletir o porquê delas estarem em nossas vidas.

Aturas tua própria sombra, e é capaz de corrigir a si mesmo ou precisa de amizades que reguem tua absoluta inutilidade?

Aturas tua inutilidade ou precisas de outro inútil sofrendo, para sentir-se confortável?

Consegue olhar para si, e dizer o que és, cultiva, e semeia?

Repito: Prefiro mil vezes a solidão, que conviver com algo venenoso, que me enfraquece dia após dia.

Obrigada.

Que todos nós fiquemos bem.

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SENHOR PAULO CORDEIRO

O que sobrara dos anos sessenta ou até mesmo anteriormente a isto? Me refiro a existência de linhagens familiares no interior do sertão nord...

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