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sábado, 13 de junho de 2026

É POSSÍVEL CONTROLAR AS EMOÇÕES?

Imagem Ilustrativa
Emoções são intensas, sentimentos são mais duradouros. Emoções em pessoas jovens são intensas e duram uma hora, um dia. Dois minutos? 

- A emoção num adulto é mais longa, quero dizer, há mais impacto. 

- Estaremos nós, lidando com os sentimentos quando adulto? Emoção é de criança e sentimento é de adulto? Dura semanas? Será que isso vai muito da idade? Maturidade? 

- Isso é uma percepção minha e não um fato, cada pessoa é particular.  

- Isso significa que uma emoção não pode evoluir? 

- Não só pode como às vezes evolui, mas não temos o controle e nem vamos saber identificar se ele evoluirá para um sentimento triste ou alegre. 

- Mas alegria não é uma emoção?  

- Complexo encaixar tudo numa bolha.  

Não precisamos provar como somos maduros emocionalmente, e como a idade contribui para esse tipo de etapa em nossas vidas. A cada dia, mês e ano que vivemos, nos deparamos cada vez mais com exigências e demandas que por conta da nossa idade, precisaremos lidar. Eu me refiro lidar no sentido de se comportar... "como devo me comportar perante algo que sei que me causa sofrimento?" 

Não adianta dizer que é maduro o suficiente para lidar com certas situações. Já passou por ela antes? 

É preciso sentir a temperatura da água antes de entrar, certo? Às vezes não precisamos vivenciar algo para saber que vai nos balançar emocionalmente.  

A idade não implica necessariamente que saberemos lidar com todo tipo de situação ruim, pelo contrário, é justamente por termos a consciência de que estamos amadurecendo em idade, que surge a necessidade de olharmos mais para nós para nos compreendermos e ausentar o outro de sempre ser o culpado do nosso sofrimento, erros e fracassos... e assim, ficarmos em paz.

- Como assim? Já vem falar de empatia Rafaela? Isso é passado.  Quer dizer que o outro não tem culpa de nada?

- O outro tem parcela sim de responsabilidade na dor e no dano que causa, talvez o que devamos fazer é nos conhecer o máximo que conseguirmos para não sofrermos tanto numa próxima vez. 

Rogers cita "(...) descobri que sou mais eficaz quando posso ouvir a mim mesmo aceitando-me, e posso ser eu mesmo: tenho a impressão de que, com os anos, aprendi a tornar-me mais capaz de ouvir a mim mesmo, de modo que sei melhor do que antigamente o que estou sentindo num dado momento - que sou capaz de compreender que estou irritado, ou que, de fato, sinto rejeição em relação a um indivíduo, ou, pelo contrário, carinho e afeição, ou então, ainda, que me sinto aborrecido e sem interesse pelo que está se passando; ou que estou ansioso por compreender um indivíduo ou que tenho um sentimento de angústia ou de temor nas minhas relações com ele. (...)Poder-se-ia dizer, em outras palavras, que tenho a impressão de me ter tornado mais capaz de me deixar ser o que sou. Tornou-se mais fácil para mim aceitar a mim mesmo como um indivíduo irremediavelmente imperfeito e que, com toda a certeza, nem sempre atua como eu gostaria de atuar."

Não é ser perfeito e nem controlar as emoções rapidamente ou magicamente, é através de si, compreendendo a si mesmo através do processo, de algo progressivo e através da experiência que consequentemente poderemos conhecer o outro. Não é algo rápido, não se trata de ser vilão ou mocinho, não se trata de fazer o bem, se trata de tornar-se verdadeiramente quem se é não negando os próprios defeitos, e também não ignorando as qualidades. É se validando na totalidade: sendo suportável e insuportável. Um fato interessante é que nunca temos uma percepção assertiva sobre nós mesmos, sempre precisamos que o outro ache algo sobre nós para buscarmos esse algo em nós. Pode dizer que não, mas infelizmente se não tomarmos o espaço vazio do que não conhecemos sobre nós, isso será verídico, mesmo que doa. 

Estou me construindo e em processo de mudança, não fixarei uma forma de ser, algo imutável pois não é de minha ossada, não estou no controle, e o próprio Rogers cita que a mudança faz parte do processo de tornar-se... Tornar-se verdadeiramente quem se é.  

 

Referência: Tornar-se Pessoa - Carl Rogers.  

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