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terça-feira, 9 de junho de 2026

SENHOR PAULO CORDEIRO

O que sobrara dos anos sessenta ou até mesmo anteriormente a isto? Me refiro a existência de linhagens familiares no interior do sertão nordestino. Adianto que sobrou a vergonha. São restos de plantas secas caídas das árvores genealógicas de um sobrenome qualquer. Digamos que sejam eles, os Cordeiros. Dessa família restaram terras, algumas casas e uma, somente uma que é abonada de poder histórico e cultural da pequena cidade do interior.

O Senhor Paulo Cordeiro, é o último da linhagem, cuja o nome ainda tem direito. Cordeiro anda com uma bermuda de sarja, assiste jogos aos domingos, põe a cadeira de balanço na calçada, esperando o vento do início da noite chegar, e mexe no telefone.

Restou isso.

Um mendigo com sobrenome e status de outras pessoas que construíram alguma coisa, de resto é um homem soberbo, mesquinho, e um des-apreciador de sua companheira.  Tornou-se tão amarga por não ser amada e bem cuidada que é vista somente pelas frestas das paredes. Reclama pouco, fala o suficiente para não incomodar, e nem ser incomodada, muito menos judiada.

Já Paulo Cordeiro, é um bom homem. É respeitado na cidade. Dentro de casa, é um fracassado, um inútil, disse a Senhora viúva, Bruna Cordeiro.

- Quero de volta o sobrenome de meu pai. Tem mais honra que o sobrenome dessa peste.

SENHOR PAULO CORDEIRO

O que sobrara dos anos sessenta ou até mesmo anteriormente a isto? Me refiro a existência de linhagens familiares no interior do sertão nord...

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