O que sobrara dos anos sessenta ou até mesmo anteriormente a isto? Me refiro a existência de linhagens familiares no interior do sertão nordestino. Adianto que sobrou a vergonha. São restos de plantas secas caídas das árvores genealógicas de um sobrenome qualquer. Digamos que sejam eles, os Cordeiros. Dessa família restaram terras, algumas casas e uma, somente uma que é abonada de poder histórico e cultural da pequena cidade do interior.
O Senhor Paulo Cordeiro, é o último
da linhagem, cuja o nome ainda tem direito. Cordeiro anda com uma bermuda de
sarja, assiste jogos aos domingos, põe a cadeira de balanço na calçada,
esperando o vento do início da noite chegar, e mexe no telefone.
Restou isso.
Um mendigo com sobrenome e status
de outras pessoas que construíram alguma coisa, de resto é um homem soberbo,
mesquinho, e um des-apreciador de sua companheira. Tornou-se tão amarga por não ser amada e bem
cuidada que é vista somente pelas frestas das paredes. Reclama pouco, fala o
suficiente para não incomodar, e nem ser incomodada, muito menos judiada.
Já Paulo Cordeiro, é um bom homem.
É respeitado na cidade. Dentro de casa, é um fracassado, um inútil, disse a
Senhora viúva, Bruna Cordeiro.