Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.
Juro que não tenho hiperfoco em Clarice. Posso trazer outros escritores canônicos ou não canônicos para bem dizer que o que vos falo é uma verdade. Fato é que me encontrei em casa com uma vontade de atualizar aqui, e gostaria verdadeiramente de ser mais assídua, mas não há tantas possibilidades por enquanto. Nisso de pensar o que escrever, digitei ao gemini ideias de postagens simples para o meu simples bloguinho, e tudo o que me foi proposto não gostei. Todavia, ele falou a respeito de citações.
Nessa passividade do meu dia a dia, já estava pensando em escrever sobre essa citação, mas sempre surgia algo que me impedia, eu esquecia, e por fim esqueci.
Queria compartilhar com você também algo que fiz há alguns meses. Deletei meus cadastros em AI. Percebi que havia alguns erros nas respostas e em algum momento, não fez mais sentido usar como fonte primária de pesquisa. Estranho, certo? Vai contra a roda de desenvolvimento e avanço.
Nisso tudo que falei, fui pensando sobre analogias e como a alma, o corpo, a personalidade, e o caráter foram personificados como um complexo edifício.
Não gosto de romantizar pobreza e muito menos mudanças, quiçá defeitos. A toxicidade não pode ser confundida com a estrutura de um sujeito, sujeito esse que somos e que nessa complexidade, vem um combo de vivências que são diferentes. Não conseguimos lidar com nossas próprias inquietações, defeitos e sofrimentos, com certeza não conseguimos lidar com as de outras pessoas. Isso nos dá a garantia de que não temos o direito e muito menos a obrigação de tirar parte de uma estrutura de sustentação que nos incomoda, sendo que temos uma estrutura que incomoda os outros. É que mesmo correndo atrás da nossa paz, não temos o direito de castrar o outro na sua integridade de ser humano; vale com certeza reforçar que nada tem a ver com toxicidade. Algumas pessoas desenvolvem papéis sociais que usam da “falsa compreensão” para que entendam a estrutura do outro, não significando que há sinceridade. Há formas de sobrevivência na sociedade, e os papéis sociais fazem isso.
Quando falamos em defeitos, usamos o outro como referência, aprendemos com eles a não repetirmos comportamentos não aceitos por outros e consequentemente, nos anulamos em conhecer nossa “estrutura defeituosa”. Isso significa que nós nos impedimos de viver, com medo de sermos anulados pelas outras pessoas, deixando nossa estrutura intacta, sendo perdoada e analisada métriciamente para fins não danosos. Entretanto, devastamos a do outro. Isso nos dá a falsa sensação de que somos perfeitos.
Sinto dizer que por identificarmos o que causa danos, castramos nossa própria estrutura, logo cortamos nossos defeitos e entramos num edifício perfeito, porém vazio de vida, experiências e vivências.
Por medo de ficarmos sozinhos, excluídos por outros, ficamos sozinhos, cheios dos outros.